Quando falamos de sobrenatural, ficamos empolgados, mas como viver realmente no sobrenatural?
Jesus, quando caminhou na terra, sempre foi acompanhado por muita gente, principalmente porque buscavam o sobrenatural, os milagres. Na verdade, a maioria só buscava a benção. Poderíamos enumerá-las, distinguí-las e dividi-las em cinco grupos distintos.
O primeiro, que era a maior parte das pessoas, correspondia às multidões. Onde Jesus estava para chegar, a multidão esperava. E não escolhiam lugar. Estavam até no deserto. Entretanto, este grupo não buscava viver no sobrenatural. Tão somente interessava-se nos milagres, nas bênçãos, nos seus interesses próprios. E quando chegou a hora de provar a fidelidade, a lealdade com Jesus, o pagar o preço para andar no sobrenatural, onde eles estavam? Gritando: “Barrabás, Barrabás! Crucifica-o, crucifica-o!” (Mt. 27.20/21). Esta é a multidão: anda atrás da benção, sem compromisso, sem profundidade, sem consistência, apenas tendo um objetivo, que é o de suprir suas egoístas necessidades. Poderá alguém andar no sobrenatural fazendo parte da multidão?
O segundo grupo foi os designados para a comissão dos setenta (Lucas 10.1). Estes conheciam Jesus e até provaram do sobrenatural em seus ministérios e em suas vidas, mas quando retornaram de sua missão, o que era mais importante? Para eles não foi o tempo de intimidade com Deus, os momentos de relacionamentos pessoais com o povo das cidades, mas sim a demonstração de poder, pois se notou neles que estavam buscando poder, tanto é que Jesus naquele momento de extrema glória pessoal e ministerial, fala: “Mas não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus” (Lc. 10:20). A palavra de Deus é clara, “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mt. 6:21). Este tipo de pessoa esta buscando apenas poder. O poder de Deus é tão importante que ressalta e alavanca muitas pessoas ministerialmente, tirando-as do anonimato para lugares de destaque. A exemplo disto temos os Apóstolos que se depararam com uma situação de alguém que só queria o poder pelo que ele produzia. Em Atos 8:18-20, encontramos o seguinte texto: “... Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro, dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo. Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro.” Esta passagem da bíblia demonstra bem a importância que tem o poder da unção de Deus para aqueles que não querem manter na verdade intimidade com Deus, mas tão somente buscam o poder para alcançar seus objetivos e suprir os desejos de ganância e promoção pessoal.
Havia ainda o terceiro grupo que andava com Jesus: os discípulos. Estes tiveram oportunidades tremendas. Imagine só: além de andar com Ele, viver intensamente cada momento do ministério de Jesus, puderam ouvir as parábolas e depois terem as explicações das mesmas. Eles viveram momentos de intimidade com Jesus, o que foi privilégio de poucos. Costumo ir bem mais longe e imaginar a que ponto chegava a intimidade deles. Vamos dar asas à imaginação: estava Jesus andando com seus discípulos pelas estradas da Galiléia, quilômetros e quilômetros, quando de repente, como qualquer viajante, Jesus pára a beira da estrada e, como qualquer homem normal, começa a urinar. Isto mesmo! Fazer xixi! Isto não causava qualquer constrangimento para nenhum deles, mas para nós, falar neste assunto, levando em conta nossas raízes conservadoras e de pura religiosidade, podemos até ficar constrangidos. Alguns, até inconformados, podem dizer “Mas como falar assim de Jesus?”. No entanto, para eles isto era o dia-a-dia, pois Jesus estava ali em carne e osso, e eles conheciam o homem Jesus. E mesmo esses homens, tendo tamanha intimidade com Ele, quase todos fugiram covardemente quando as coisas apertaram: “... Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram.” (Mt. 26:56)
O quarto grupo era bem mais limitado. Eram apenas três pessoas: Pedro, Tiago e João. Estes mantinham com Jesus um relacionamento bem mais próximo: participavam de eventos bem mais restritos, tinham oportunidade de conhecer alguns hábitos e viver momentos únicos, mereciam de Jesus uma certa confiança. Este grupo era daqueles que subiam o monte com Jesus para orar. Eles foram testemunhas de momentos sobrenaturais indescritíveis. Pense bem, estes foram os discípulos que participaram da transfiguração. “E, seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago e a João, e os levou a sós, em particular, a um alto monte, e transfigurou-se diante deles.” (Mc. 9:2). Participar de um destes momentos é só para aquelas pessoas que conseguiram realmente atrair a confiança do Mestre. Isto já seria tremendo para um apaixonado por Jesus. Mas porque só um deles acompanhou Jesus até o final? Porque Pedro, que desfrutava de tamanha intimidade, foi capaz de negá-lo? “Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. E, saindo para o vestíbulo, outra criada o viu e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno. E ele negou outra vez, com juramento: Não conheço tal homem. E, logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente, também tu és deles, pois a tua fala te denuncia. Então, começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou.” (Mt. 26:70-74)
Qual a diferença de Pedro e Tiago, em relação a João?
João encarna o quinto tipo. Este pertence aqueles que andam com Jesus, e o segredo disto está na sua intimidade com Ele. A bíblia mostra nitidamente que o relacionamento de João com Jesus era diferenciado dos demais. “E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair?” (Jo 21:20). Sim, este é o segredo de andar no sobrenatural: encostar sua cabeça no peito de Jesus e ouvir o bater de seu coração, o pulsar de sua intimidade, da sua vontade, um relacionamento além da religiosidade, do cultuismo, das estruturas, enfim, além do normal e usual!
A bíblia nos mostra que, entre tantas outras diferenciações, está o fato de que Jesus nunca foi abandonado por João, independente de situações e circunstâncias. Até no pé da Cruz, correndo risco de vida, lá estava o discípulo amado.
Qual a recompensa disto?
Além de ser o único que não morreu por morte violenta, foi o escolhido para receber de Jesus a revelação do livro de Apocalipse. Entendemos assim que o Senhor escolhe aqueles que possuem maior intimidade para se revelar e revelar seus segredos mais profundos, e estes por sua vez vivem experiências extraordinárias, sobrenaturais. Imagine só João na ilha de Patmos: “E logo fui arrebatado em espírito, ...” (Ap. 4:2), “Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz, que como de trombeta ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer”. (Ap. 4:1) Estas experiências são para aqueles que o natural passou a ser o sobrenatural, que subiram a níveis mais altos. O convite é: SUBA PARA AQUI, não aceite o natural, não aceite o normal, mas busque viver em estado de arrebatamento. Para tanto, busque ouvir as batidas do coração de Jesus, intimidade profunda, sem limites e, se necessário, até por em risco a sua própria vida.
Para estes corajosos, ainda está reservado ver o que os normais não podem ver:
“E logo fui arrebatado em espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono. E o que estava assentado era, na aparência, semelhante à pedra de jaspe e de sardônica; e o arco celeste estava ao redor do trono e era semelhante à esmeralda. E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas; e tinham sobre a cabeça coroas de ouro. E do trono saíam relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete Espíritos de Deus. E havia diante do trono um como mar de vidro, semelhante ao cristal, e, no meio do trono e ao redor do trono, quatro animais, criaturas viventes cheios de olhos por diante e por detrás. E o primeiro animal era semelhante a um leão; e o segundo animal, semelhante a um bezerro; e tinha o terceiro animal o rosto como de homem; e o quarto animal era semelhante a uma águia voando. E os quatro animais tinham, cada um, respectivamente, seis asas e, ao redor e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que há de vir.” (Ap. 4:2-8)
Glaucio L. Coraiola
Comunidade Batista Koinonia
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Palmas - Tocantins
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